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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Pescadores denunciam mortandade de peixes em usina hidrelétrica em Lavras


Vídeos que circulam pelas redes sociais mostram os peixes presos dentro da barragem da usina de funil



Vídeos que circulam em redes sociais mostram duas situações diferentes sobre a mortandade dos peixes. Em um deles, diversos animais aquáticos da espécie dos dourados aparecem presos na barragem da usina, sem conseguir chegar ao Ribeirão Vermelho, que corta a região. Em outras imagens, moradores encontram grande quantidade de peixes mortos fora dos leitos.


A Colônia de Pescadores Profissionais e Artesanais de Lavras denunciou a mortandade e pede verificação de uma possível falha no elevador instalado dentro da usina hidrelétrica e que transportava os peixes ao ribeirão. O grupo ainda pede a construção de uma escada, no leito do rio, para facilitar a locomoção dos peixes.


A vistoria programada pela Semad deve ocorrer por volta de 13h30.

Em nota, a Aliança Energia disse que "acionou os órgãos competentes assim que identificou a presença atípica de um cardume abaixo da barragem". A empresa ainda informou que o "Sistema de Transposição de Peixes (STP) funciona no período da Piracema, conforme padrão operativo e licenças ambientais" e que "equipe da UHE Funil está contribuindo e à disposição dos órgãos responsáveis na apuração do ocorrido".


*Estagiário sob supervisão da subeditora Regina Werneck
fonte: em.com.br

terça-feira, 30 de abril de 2013

78 novas espécies de peixes no Rio Madeira

Pesquisador afirma que monitoramento só mostra que construção de hidrelétricas teve impacto ambiental ainda maior que o previsto


Biólogos que trabalham no monitoramento da fauna do rio Madeira descobriram 78 novas espécies de peixes no afluente do rio Amazonas. O estudo, realizado desde 2011, também mostrou que a diversidade de peixes é muito maior que a esperada: foram catalogadas 990 espécies habitando o rio. A pesquisa confirmou que o rio Madeira é um ponto de “confluência de peixes”, onde animais vindos de outras bacias hidrográficas chegam ao rio Guaporé – principal afluente do Madeira – após migrarem quilômetros.

É o que acontece com o dourado de escamas, uma espécie típica da bacia do Paraná que se aproveita de épocas de alagamento no Pantanal e consegue chegar até o rio Guaporé, próximo a Porto Velho (RO). “Sabíamos que estes peixes conseguiam migrar até o Guaporé, mas o que não sabíamos era que eram tantas espécies e tantos peixes”, disse ao iG o analista socioambiental Alexandre Marçal responsável pelo monitoramento realizado pela Santo Antônio Energia, usina hidrelétrica construída no rio Madeira a sete quilômetros de Porto Velho.

Marçal afirma a diversidade do Madeira é algo que impressiona. Para se ter uma ideia, o biólogo compara com a quantidade de peixes encontrados no rio Negro. O rio que tem as margens na cidade de Manaus, e que é muito estudado, tem cerca de 500 espécies de peixe. “Isso aumenta a importância do rio Madeira e abre potencial para a aplicação de outros estudos”, disse, Marçal. O estudo ainda introduziu chips em 370 peixes de 10 espécies migratórias para monitorá-los.

Carolina Dória, coordenadora do Laboratório de Ictiofauna e Pesca da Universidade Federal de Rondônia (Unir), e que participou do monitoramento em parceria com a empresa, afirma que o rio Madeira é um rio diferente por causa de sua geologia e também por ser o segundo maior afluente do rio Amazonas. “O esforço amostral deste estudo é ímpar, certamente em outros rios da Amazônia poderia ser encontrada esta diversidade, caso estudos como estes fossem feitos”, disse ao iG .


Tiro no pé

As boas notícias em relação à biodiversidade podem servir como um agravante no impacto ambiental ocasionado com a construção das usinas Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira. “Os impactos das usinas hidrelétricas no estoque de peixe é bastante conhecido, portanto eles publicarem esses dados é uma prova de que não sabem exatamente o que fazem”, disse ao iG Artur de Souza Moret, coordenador do grupo de pesquisa sobre energia renovável sustentável da Unir.

O professor explica que com as usinas ocorre a interrupção da migração de peixes causando também o desequilíbrio no ecossistema. “Há a modificação do ambiente e por isso outras espécies de peixe predominam e outras não”, disse.

A usina afirma que o sistema chamado transposição de peixes , um canal com cerca de dez metros de largura e 900 metros de extensão, permite a migração dos animais rio acima, garantindo a reprodução das espécies mesmo com a usina em operação. Com o canal, os peixes poderiam usar este caminho para ultrapassar a barragem na época da piracema.

Porém, com o estudo realizado pela usina, os pesquisadores determinaram áreas onde a construções de novas hidrelétricas seriam prejudiciais. “As usinas de Santo Antônio e Jirau já estão construídas, mas não é interessante que sejam implementadas novas usinas. Principalmente no trecho que vai de as áreas que vão do Guaporé-Mamoré e de Porto Velho a foz do Madeira-Amazonas. É importante que estas áreas sejam preservadas”, disse Carolina ao iG


fonte:
www.ig.com.br
por Maria Fernanda Ziegler 
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