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sábado, 16 de junho de 2018

Com aparência estranha, bodó é um peixe que vale mais do que imaginamos


Da espécie se pode aproveitar praticamente tudo, desde a carne para culinária até a casca para produção de ração
Diego Oliveira
diego.oliveira@portalamazonia.com


A aparência dele pode até ser feia, mas o sabor é indescritível. Sabe de quem estamos falando? Dele mesmo, o acari, mais conhecido noAmazonas como bodó. O peixe é comum em igarapés e rios do Estado, sendo um dos principais alimentos na mesa dos ribeirinhos. O cascudinho apesar de assustador, revela-se um peixe com grande potencial econômico e nutricional.

O bodó possui distribuição restrita, é encontrado desde o rio Ucayali, no Peru, até a foz do rio Tapajós, no Pará. É um peixe de água doce da ordem dos Siluriformes (bagres) e família Loricariidae, que agrupa os cascudos e acaris. A reprodução da espécie acontece entre os meses de outubro e maio. O corpo do peixe é revestido por placas e espinhos que servem para defesa contra predadores naturais, como por exemplo, os botos. De hábitos noturnos, os bodós vivem agrupados em casais e na natureza tendem a se unir em blocos. 


bodo e um  peixe que vale mais di que parece
 Foto: Diego Oliveira/Portal amazonia

Bodó é comercializado vivo nas feiras da cidade.
Amazônia Durante estudos desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), pesquisadores descobriram que o bodó é um dos peixes de água doce mais ricos da Amazônia. Dele pode se aproveitar tudo, até mesmo a casca, utilizada na produção de ração. Na tese de doutorado 'Alterações pos-mortem e aproveitamento tecnológico do músculo de acari-bodó', do pesquisador Fábio Tonissi Moroni, publicada em 2005, já era possível ver a importância nutricional do bodó.

Na pesquisa, Moroni mostra que parte do pescado é desperdiçado durante a comercialização. Segundo ele, nos períodos de safra, ocorre 50% de perda do bodó vendido nas feiras, apesar de ser negociado com os preços mais baixos do ano. A situação ainda é pior quando o bodó acaba morrendo nas bancas dos feirantes. "Ninguém compra bodó 'frio', ele é jogado nos corpos de água ou nos aterros sanitários", destaca Moroni na tese. 

bodo e um  peixe que vale mais di que parece
Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia 

Bodó possui várias formas de preparo. Investimento No final de 2016, o especialista em tecnologia do pescado, Rogério de Jesus, realizou um workshop sobre o aproveitamento do bodó. O curso mostrou a importância de se investir em pesquisas sobre o pescado. "Nutricionalmente falando, o bodó é um peixe completo, com todas as características do cascado nutricional. Ele possui toda uma composição que o deixa no mesmo nível das demais espécies como o tambaqui, por exemplo. É de suma importância que outros pesquisadores também se interessem em buscar mais informações sobre ele", comentou. 


bodo e um  peixe que vale mais di que parece
Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
Preparo e farinha

Estrutura do bodó pode ser toda aproveitada.

Para os povos Tukano e Dessana, o bodó é conhecido como ia'ká. Existe uma forte influência da cultura indígena nas técnicas de preparo e conservação do cascudo. Antigamente, os indígenas assavam e enfumaçavam o bodó em uma grelha de madeira para que ele ficasse desidratado, o nome do processo era chamado de moquém. Dessa forma, o peixe podia ser armazenado durante semanas ou levado para viagens. Já para consumo imediato, os indígenas assam o peixe.

Com a vinda do colonizador para a Amazônia, o preparo do bodó sofreu algumas adaptações, por exemplo, o peixe passou a ser apenas assado, e não moqueado, sobre grelhas próximas ao fogo. Na mesma época, surgiu a famosa caldeirada de bodó, que acabou tornando-se um prato típico na Região Norte. Com o passar do tempo, outras receitas foram adaptadas para agregar mais valor ao sabor único do peixe.

Além das receitas tradicionais, o bodó também pode virar um tipo de farinha, popularmente conhecido como piracuí, ou farinha de peixe na língua indígena Nheengatú. Para transformar o cascudo em farinha é necessário pilar o peixe sem espinhas até reduzi-ló a pó, sendo então colocado sobre um forno. O processo continua com o esfarinhamento da carne até ficar completamente enxuto, o alimento é popular entre os ribeirinhos da região amazônica.

Segundo o pesquisador Rogério de Jesus, um estudo de viabilidade econômica sobre a farinha de piracuí também apresentou saldo positivo. Foi detectado que os benefícios diretos do investimento na produção do produto, bastante consumido na região são: aumento da oferta de emprego levada ao homem amazônico em seu local de origem; ingresso de divisas para o Estado; estimulo a redução da pressão de captura de espécies sob risco de extinção e aumento da oferta de alimento de alto valor nutricional. O que classifica este projeto como técnico, social e economicamente viável. 

bodo assado do amazonas mamaus
Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia
Delícia na mesa

Bodó assado é um dos pratos favoritos dos amazônidas.

A empresária Maria do Socorro da Silva, trabalha há seis anos no Mercado Municipal Adolpho Lisboa. Na frente de seu restaurante, montado em um dos boxes da feira, uma churrasqueira com seis bodós chamam a atenção de quem passa. Quando é feito dessa maneira, o preparo do cascudo é mais simples. "A gente limpa o peixe, mas não o abre. A gente deixa assando por uns 20 a 30 minutos e está pronto para o consumo. Os clientes adoram saborear o bodó com limão e bastante farinha. É a forma como ele mais sai", afirmou.

Mas a concorrência de Maria é acirrada. Não muito longe dali, o cozinheiro Lisomar Siqueira prepara uma caldeirada de bodó. O preparo é parecido aos dos demais peixes, com uma única diferença, o bodó vai inteiro para o prato. "Geralmente, a gente não desmembra o bodó, ele chega completo no prato da clientela. Ele pode não ser o peixe mais bonito do mundo, e muitas pessoas não tem coragem de provar, mas fica delicioso. Até o aroma da caldeirada do bodó é diferente", disse.

Inspiração que deu certo

amazonas - manaus
Festival do Bodó na Casa do Parente. Foto: Divulgação


A participação do bodó na vida dos amazônidas não se resume somente a gastronomia. Em Manaus, o espaço cultural 'A Casa do Parente', realiza o 'Festival do Bodó'. "Sempre fizemos almoços com bastante bodó, uma gama de pessoas aprecia esse peixe e desde que começamos com o projeto da 'Casa do Parante', fazemos eventos com o peixe no cardápio. A ideia de fazer o festival surgiu há três anos, mas conseguimos realizar a primeira edição apenas ano passado. A ideia é reunir a culinária regional e a música, além de outras manifestações artísticas", explicou o cantor Gonzaga Blantez.

Para Blantez, o bodó é sinônimo de festa. E ele defende o peixe de quem fala de sua aparência. "Se você descer pelas beiras dos rios da Amazônia vai encontrar várias pessoas comercializando o bodó. Por isso que eu gosto de falar que onde tem bodó geralmente tem festa. Por esse motivo que faço a ligação do pescado com o festival", contou o artista.
fonte: http://portalamazonia.com/

domingo, 8 de julho de 2012

Peixes têm alto teor de proteína, sais minerais e ácidos graxos.

Manaus - Populares pelo preço acessível e sabor, o pacu e o jaraqui ganharam mais um reforço para disputarem a preferência do amazonense à mesa: o alto teor nutritivo.

Segundo um estudo do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), estas espécies não devem em nada para os peixes mais nobres, como tambaqui ou pescado marinho quando se avalia o teor de proteína, sais minerais e ácidos graxos.

O pesquisador do Inpa Rogério Souza de Jesus fez um levantamento do perfil nutricional de várias espécies de pescado amazônico e descobriu que os populares pacu e jaraqui, e outros menos comercializados, como curimatã, pirapitinga, aracu e mapará, possuem os nutrientes essenciais para uma dieta balanceada.

Segundo o pesquisador, estas espécies, que chegam a ser vendidas nas feiras de Manaus ao preço de R$ 10, 20 unidades, possuem os mesmos níveis de proteína, sais minerais e ácidos graxos das espécies marinhas ou peixes mais caros, como o tambaqui e o pirarucu.

No jaraqui, por exemplo, foi encontrada uma grande concentração de ácidos graxos do tipo ômega3, que previnem doenças coronarianas. Jesus explica que agora, no período de cheia dos rios, o pescado “engorda”, de um modo geral, em razão da abundância de alimentos, e tende a ficar mais magro e com menos teor de gordura na carne na época da vazante.

A proteína do peixe é uma das mais nobres, pois cada cem gramas do alimento oferecem30 gramasde proteína, pouca gordura e muito teor de ômega 3. De acordo com especialistas, a ingestão do ômega 3 auxilia na redução dos níveis de triglicerídeos e colesterol considerados negativos. Além de estar presentes em peixes, ele é encontrado nas nozes, castanhas, folhagens de rúcula e nos óleos vegetais.

No caso do peixe, é necessário observar uma série de detalhes na hora de comprá-lo, como se a pele está firme, úmida e sem a presença de manchas, assim como os olhos, que devem estar brilhantes, e as escamas firmes.

O marceneiro Valter Luís de Oliveira, 55, confirma a estatística. Ele conta que em sua casa a família come peixe até quatro vezes por semana. “Gostamos do sabor e do preço. É uma tradição sair cedo de casa, ir na banca do peixe, e comprar as verduras para acompanhar. Não troco o costume amazônico por nada”, observa.

Merenda escolar

O consumo do pescado deve começar na infância, mas esbarra na falta de estímulo nas escolas, com a pouca oferta do alimento no cardápio da merenda. Apenas 26,9% (cerca de 1,5 mil) das 5.565 prefeituras em todo o País incluem o pescado pelo menos uma vez por semana, aponta estudo do Ministério da Pesca e Aquicultura.

Este ano, a pasta iniciou um levantamento detalhado, em parceria com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), sobre o consumo de peixe nas escolas públicas. A coleta de dados, por meio de questionário feito com nutricionistas e responsáveis técnicos pela alimentação escolar, encerrou no fim de maio.

A ideia é saber se a escola tem câmaras frigoríficas para estocar o alimento, se as merendeiras sabem preparar o pescado e se há dificuldade na aquisição de peixe fresco na cidade.

Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura, o morador do Amazonas consome aproximadamente 35 quilos de pescado por ano, enquanto a média nacional oscila entre 7 e 9 quilos.

No Brasil, o consumo de peixe por pessoa está abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda o consumo de 12 quilos anuais. Segundo o organismo, a média mundial chega a chega a 16 quilos e países como o Japão têm um consumo per capita médio de 30 quilos.

De acordo com Departamento da Cadeia Produtiva do Pescado da Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS), o Amazonas é o maior produtor de peixes de água doce do Brasil, mas não atende à demanda local, mesmo com a produção da piscicultura. Levantamento do órgão aponta que anualmente 150 mil toneladas são capturadas pela pesca artesanal e 8 mil toneladas são produzidas em cativeiro.


fonte: http://www.d24am.com

terça-feira, 14 de abril de 2009

Picadas de cobras aumentam na época de cheias dos rios na Amazônia

"Quando a enchente é boa, há muita várzea e, conseqüentemente, no ano seguinte, muito peixe.

Na época de enchente fica prejudicada a pesca.

O mais agravante da enchente são os acidentes conforme relato na matéria abaixo não esta incluido o jacaré que e responsável por muitos ataques.

o blog.


MANAUS - O perigo de acidentes com cobras na Amazônia aumenta toda vez que o nível dos rios sobe.

No ano passado, segundo a Secretaria de Saúde do Amazonas, mais de 1.700 pessoas sofreram acidentes com cobras. Geralmente, 75% dos casos de picadas ocorrem no período das cheias dos rios. A água invade as várzeas, as florestas alagáveis e os igapós. As serpentes que vivem nesses lugares acabam migrando para próximo das casas dos ribeirinhos.

Bairros da periferia de Manaus também enfrentam o problema. “A cidade acaba crescendo de uma forma desordenada e começam a aparecer ilhas verdes dentro dos centros urbanos. Na hora que essas serpentes percebem, elas estão ilhadas, não têm para onde fugir e acabam invadindo residências”, explica o veterinário Diogo Faria, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

No caso de picada de cobras venenosas, os médicos recomendam que o local não seja cortado e nem amarrado com garrote. “O que deve ser feito é limpar bem o local com água e sabão e elevar esse membro, deixá-lo um pouquinho mais alto para que facilite o retorno do sangue e evite o inchaço no local das pernas”, orienta o médico Ricardo Faria.

Agora, a Fundação de Medicina Tropical do Amazonas realiza testes em ratos para saber se o soro antiofídico produzido em quatro laboratórios do país é eficaz também contra uma espécie de jararaca típica da Amazônia, conhecida como surucucurana, responsável por 95% dos acidentes com cobras na região.

fonte:http://portalamazonia.globo.com


Fundação de Medicina Tropical de Manaus
Centro de informações Toxicológicas de Santa Catarina
conheça mas a surucucurana



A flora bucal dos jacarés da Amazônia
Cientistas identificam bactérias e apontam tratamento de emergência para mordidas

Estima-se que existam na Amazônia cerca de 25 milhões de jacarés adultos. Esses répteis foram responsáveis por 71 acidentes com humanos registrados junto ao Ibama entre janeiro de 1990 e setembro de 2001. Embora o número seja pequeno diante do tamanho da população, as mordidas de jacaré constituem um problema para os pescadores da região -- a maior bacia hidrográfica do planeta. As vítimas podem demorar mais de um dia para chegar a centros equipados para tratar dos ferimentos. Em alguns casos as lesões infeccionam e os feridos chegam a perder o membro atingido. O problema aumenta no início do ano, época das cheias.

Coleta de saliva de jacaré para identificação da flora bucal


Além do enorme estrago -- um jacaré chega a medir 4 metros e pesar 270 quilos --, as mordidas podem transmitir inúmeras espécies de bactérias que vivem na boca do réptil e provocar uma série de doenças. Identificar esses microrganismos e encontrar um tratamento de emergência para as feridas foi o objetivo de um estudo realizado no Centro de Pesquisas Leônidas e Maria Deane, unidade da Fundação Oswaldo Cruz em Manaus.

Os pesquisadores identificaram os patógenos encontrados na flora bucal das quatro espécies de jacarés que mais atacam os pescadores: tinga, açu, pagua e coroa. Foram encontrados sete tipos de bactérias. Algumas bastante comuns, como a Pseudomonas cloacae, a Escherichia coli e a Enterobacter cloacae, encontradas também no solo, na água ou em alimentos orgânicos em decomposição. Elas podem provocar gastrenterite, infecções intestinais e de pele, além de lesões cutâneas -- inclusive gangrena.

Lesão provocada por mordida de jacaré na Amazônia

O ortopedista Fernando Abreu de Sá, do Hospital Universitário Getúlio Vargas, ligado à Universidade do Amazonas, coletou da boca dos animais treze amostras de saliva. Capturar um jacaré exige um esforço extremo: são necessários cerca de cinco homens na operação, que pode demorar mais de uma hora. As amostras foram coletadas na Reserva de Mamirauá [1], no município de Tefé (AM), região onde são comuns relatos de mordidas.

Uma equipe coordenada pelas pesquisadoras Luciete Almeida Silva e Ana Carolina Paulo Vicente analisou necropsias realizadas em feridas de pescadores e descobriu que uma das bactérias presentes nas lesões também era encontrada na flora bucal dos jacarés: a Enterobacter cloacae.

A partir daí, os cientistas tentaram encontrar um antibiótico que combatesse a maioria das bactérias. Foi realizado um teste de identificação e sensibilidade antimicrobiana, para conferir a resistência dos microrganismos encontrados a vários antibióticos analisados. Um medicamento mostrou-se capaz de combater todos os patógenos: a neomicina, pomada antibactericida que inibe a síntese de uma proteína das microrganismos.

A neomicina poderá melhorar a vida dos pescadores de Mamirauá e da Amazônia, ao amenizar a proliferação das bactérias no longo caminho até o hospital. A aplicação do medicamento é simples e pode ser feita pelo próprio ferido logo após a primeira lavagem. Além disso, a pomada tem preço acessível e é facilmente encontrada.

Denis Weisz Kuck

fonte
Ciência Hoje On-line

segunda-feira, 16 de março de 2009

Ribeirinhos fazem pesca sustentável de peixes ornamentais no AM

Coleta é realizada na reserva de Amanã, no norte do estado.
Veja álbum de fotos de como é feita a captura.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

Depois de muitas pesquisas, moradores da Reserva de Amanã, no norte do Amazonas, conseguiram fazer sua primeira coleta sustentável de peixes ornamentais. Com todo o cuidado para não depredar o ambiente ou causar impacto na vida dos animais aquáticos, os ribeirinhos coletaram 750 exemplares de acará-disco, peixe muito procurado por apaixonados por aquários.

Foto: Henrique Lazzarotto-Instituto Mamiraúa/Divulgação

Na primeira coleta, 750 espécies de acará-disco foram capturadas com pequenas redes. (Foto: Henrique Lazzarotto-Instituto Mamiraúa/Divulgação)

Os estudos para capturar peixes coloridos sem causar danos à reserva começou em 2003. Segundo o biólogo Alexandre Hercos, que realizou as pesquisas com o apoio do Instituto Mamirauá, cientistas conseguiram selecionar 13 espécies de peixes ornamentais para a pesca dentro da reserva.

Veja galeria de fotos da coleta dos peixes ornamentais

Para fazer a escolha, foi feito um levantamento de quais eram os animais mais abundantes, as espécies que tinham maior valor comercial e as que estavam autorizadas para comercialização pelo Ibama. “Estabelecemos algumas cotas para a coleta, para que a captura seja sustentável”, explica Hercos.

Fonte: http://g1.globo.com/Amazonia

saiba mais sobre a reserva Amanã


sexta-feira, 13 de março de 2009

Amazônia: Fundamentos da ecologia da maior região de florestas tropicais

Foto Rio Negro

Clique na imagem para amplia-lá




O número de espécies de peixes na América do Sul ainda é desconhecido, sendo sua maior diversidade centralizada na Amazônia. Estima-se que o número de espécies de peixes para toda a bacia seja maior que 1300, quantidade superior a que é encontrada nas demais bacias do mundo. O estado atual de conhecimento da ictiofauna da América do Sul se equipara ao dos Estados Unidos e Canadá de um século atrás e pelo menos 40% das espécies ainda não foram descritas, o que elevaria o número de espécies de peixes para além de 1.800. Apenas no rio Negro já foram registradas 450 espécies. Em toda a Europa, as espécies de água doce não passam de 200.


Localização
A Amazônia é um território único pela variedade indescritível de sua flora e fauna. Estende-se por nove países da América do Sul, dos quais o Brasil fica com a maior parte, 63,4% do total. É delimitada ao norte e ao sul, respectivamente, pelos maciços das Guianas e do Brasil Central; a oeste, pela Cordilheira dos Andes. Abriga o sistema fluvial mais extenso e de maior massa líquida da Terra, sendo coberta pela maior floresta pluvial tropical. O Amazonas drena mais de 7 milhões de quilômetros quadrados de terras e é, por larga margem, o rio de maior massa líquida, com uma vazão anual média de 200.000 metros cúbicos por segundo. Essa região corresponde a 1/20 da superfície da Terra, a 2/5 da América do Sul, 1/5 da disponibilidade mundial de água doce, 1/3 das reservas mundiais de florestas latifoliadas, e somente 3,5 milésimos da população mundial, com uma densidade de 2 hab./Km2.

Clima
A sazonalidade na bacia amazônica é marcada pela pluviosidade e pela alteração do nível dos rios, que pode chegar a mais de 12 metros em algumas regiões. A precipitação na bacia não é homogênea, tanto em relação ao período do ano quanto às diferentes localidades na Amazônia. Na parte meridional do estuário do rio Amazonas, encontra-se uma zona com maior abundância de chuvas, onde a precipitação atinge mais de 2.600mm; muita mais chuva cai no noroeste da Amazônia, onde as precipitações anuais alcançam mais de 3.600mm. Entre essas faixas ocorrem zonas nas quais as precipitações em certos anos ficam abaixo dos 2.000mm. Notam-se ainda diferenças maiores ou menores entre o período chuvoso e o de estiagem. Na região de Santarém, nas imediações do rio Tapajós, por exemplo, pode ocorrer em certos anos que durante cerca de quatro semanas seguidas, agosto a setembro, não chova nada. Já no noroeste da Amazônia as diferenças podem ser bem diminutas entre as épocas mais e menos chuvosas.
A temperatura média anual fica entre 26 e 27 graus Celsius, com diferenças sazonais de apenas + ou - 1 grau,em que o período da estiagem é mais quente que o das chuvas. No decorrer do dia, entretanto, a amplitude térmica pode ultrapassar 10oC. A umidade relativa do ar é sempre muita elevada, podendo alcançar 100% de saturação durante a noite.

As chuvas e a evapotranspiração
A evapotranspiração é um fenômeno de fundamental importância para se compreender a relação entre o clima pluvial amazônico e a existência da floresta. Cerca de metade da água da chuva que cai na região retorna através de evapotranspiração diretamente à atmosfera, onde novamente se condensa e volta a cair. Existe, pois, uma retroalimentação altamente significativa pela presença da floresta. O clima da região é dependente da floresta e é por isso que se diz que o desmatamento terá um efeito catastrófico sobre o clima.

Os rios da Amazônia
Os rios da Amazônia podem ser separados em três tipos: rios de água preta, rios de água branca e rios de água clara.
Os rios de água branca são aqueles cujas cabeceiras encontram-se próximas aos sedimentos andinos, sendo caracterizados por apresentarem um elevado teor de argila em suspensão, visibilidade de 0,1 a 0,5 metros e pH 6,5 a 7,0. São rios de água branca os rios Amazonas, Branco, Madeira, Juruá e Purus. Esses rios formam em suas margens uma planície de aluviões recentes, as várzeas.
Os rios de água clara são aqueles que se originam no Planalto Brasileiro ou no Planalto Guianense. Carreiam uma quantidade muito pequena de partículas em suspensão, podem apresentar uma visibilidade superior a 4 metros e o pH de 4,0 a 7,0. São rios de água clara os rios Xingu, Tapajós e Tocantins.
Os rios de água preta são aqueles originados nos sedimentos arenosos terciários da Amazônia Central. Este tipo de rio caracteriza-se pela água marrom transparente com visibilidade entre 1,5 a 2,5 metros e apresenta um pH entre 3,5 e 4,0 devido à elevada quantidade de ácidos húmicos e fúlvicos em suspensão, que adquirem ao inundar a vegetação. O exemplo mais típico é o rio Negro.

A Vegetação da Amazônia
A Amazônia não é homogênea. Ao contrário, ela é formada por um mosaico de hábitats bastante distintos. A diversidade de hábitats inclui as florestas de transição, as matas secas e matas semidecíduas; matas de bambu (Guadua spp.), campinaranas, enclaves de cerrado, buritizais, florestas inundáveis (igapó e várzea), e a floresta de terra firme.

Florestas de terra-firme
As florestas de terra-firme caracterizam-se por ocorrer em áreas não sujeitas a inundações. Apresentam uma grande variedade de fisionomias (florestas densas, florestas semi-abertas com babaçu, florestas secas com palmeiras, florestas secas com cipós, florestas secas com cipós e palmeiras, etc.). O tipo predominante apresenta árvores altas (mais de 25 m de altura), copa fechada, muitas lianas, sub-bosque aberto e elevada biomassa. O conjunto das florestas de terra-firme representa cerca de 80% da vegetação da região.

Florestas de áreas inundadas: a várzea e o igapó
Cerca de 15% da Amazônia é ocupada pelos rios ou inundada em caráter permanente ou sazonal. A constatações de que o nível de fertilidade dos rios refletia na vegetação, levou a maioria dos botânicos a adotar o critério "cor dos rios" para separar as florestas inundadas em várzea e igapó. Assim, são denominadas de florestas de várzea as florestas sujeitas a inundação pelos rios de água branca, e florestas de igapó, as florestas inundadas por rios de água clara ou preta. A floresta de várzea é caracterizada pela maior riqueza em nutrientes. Enquanto o igapó é caracterizado pela acidez e pobreza de nutrientes.

Buritizais
Nas margens dos rios amazônicos e em certas áreas que possuem drenagem insuficiente, é comum encontrar buritizais, isto é, florestas compostas quase que exclusivamente por buritis (Mauritia flexuosa).

Manguezais
Manguezais são florestas costeiras adaptadas à água com elevado teor de salinidade e as variações das marés. Os manguezais ocorrem em toda a costa Atlântica. As três principais espécies de árvores dos manguezais amazônicos são: Rhizophora mangle, Aviccennia tomentosa e A. germinans. As duas últimas penetram no estuário amazônico até próximo à Floresta Nacional de Caxiuanã. Outras espécies ocorrem associadas, como Laguncularia racemosa.

As savanas amazônicas
Além da vegetação florestal, ocorrem na Amazônia enclaves de vegetação de savana. Essa vegetação pode em geral ser classificada em campos de terra-firme, de origem terciária ou quaternária, e campos inundáveis, que podem ser campos marginais de várzeas ou campos interioranos.

Campinaranas ou Caatingas amazônicas
As caatingas amazônicas ou caatingas de areia branca cobrem cerca de 30.000 quilômetros de área, na região do rio Negro. Em geral ocorrem sob a forma de manchas isoladas espalhadas no conjunto da mata tropical de terra-firme. Apesar de sofrerem inundações periódicas, suas plantas tendem a apresentar características de esclerofilia.

Estado atual do conhecimento sobre a biodiversidade amazônica
Em nenhum lugar do mundo existem mais espécies de animais e de plantas do que na Amazônia, tanto em termos de espécies habitando a região como um todo (diversidade gama), como coexistindo em um mesmo ponto (diversidade alfa). Entretanto, apesar da Amazônia ser a região de maior biodiversidade do planeta, apenas uma fração dessa biodiversidade é conhecida. Portanto, além da necessidade de mais inventários biológicos, um considerável esforço de amostragem também é necessário para se identificar os padrões e os processos ecológicos e biogeográficos.

A riqueza da flora compreende aproximadamente 30.000 espécies, cerca de 10% das plantas de todo o planeta. São cerca de 5.000 espécies de árvores (maiores que 15cm de diâmetro), enquanto na América do Norte existem cerca de 650 espécies de árvores. A diversidade de árvores varia entre 40 e 300 espécies diferentes por hectare, enquanto na América do Norte varia entre 4 a 25

Os artrópodos (insetos, aranhas, escorpiões, lacraias e centopéias, etc.) constituem a maior parte das espécies de animais existentes no planeta. Na Amazônia, estes animais diversificaram-se de forma explosiva, sendo a copa de árvores das florestas tropicais o centro da sua maior diversificação. Apesar de dominar a Floresta Amazônica em termos de número de espécies, número de indivíduos e biomassa animal, e da sua importância para o bom funcionamento dos ecossistemas, estima-se que mais de 70% das espécies amazônicas ainda não possuem nomes científicos e, considerando o ritmo atual de trabalhos de levantamento e taxonomia, tal situação permanecerá por muito tempo. Atualmente são conhecidas 7.500 espécies de borboletas no mundo, sendo 1.800 na Amazônia. Para as formigas, que contribuem com quase um terço da biomassa animal das copas de árvores na Floresta Amazônica, a estimativa é de mais de 3.000 espécies. Com relação às abelhas, há no mundo mais de 30.000 espécies descritas sendo de 2.500 a 3.000 na Amazônia.

Um total de 163 registros de espécies de anfíbios foi encontrado para a Amazônia brasileira. Esta cifra eqüivale a aproximadamente 4% das 4.000 espécies que se pressupõe existir no mundo e 27% das 600 estimadas para o Brasil. A riqueza de espécies de anfíbios é altamente subestimada. A grande maioria dos estudos concentra-se em regiões ao longo das margens dos principais afluentes do rio Amazonas ou em localidades mais bem servidas pela malha rodoviária. Foram encontradas 29 localidades inventariadas para anfíbios na Amazônia brasileira. Deste total, apenas 13 apresentaram mais de 2 meses de duração. Isso significa que a Amazônia é um grande vazio em termos do conhecimento sobre os anfíbios e muito ainda há que ser feito.

O número total de espécies de répteis no mundo é estimado em 6.000, sendo próximo de 240 espécies o número de espécies identificadas para a Amazônia brasileira, muitas das quais restritas à Amazônia ou a parte dela. Mais da metade dessas espécies são de cobras, e o segundo maior grupo é o dos lagartos. Embora já se tenha uma visão geral das espécies que compõem a fauna de répteis da Amazônia, certamente ainda existem espécies não descritas pela ciência. Além disso, o nível de informação em termos da distribuição das espécies, informações sobre o ambiente onde vivem, aspectos de reprodução e outros ligados à biologia do animal, assim como sobre a relação filogenética (de parentesco) entre as espécies é ainda baixo.

As aves constituem um dos grupos mais bem estudados entre os vertebrados, com número de espécies estimado em 9.700 no mundo. Na Amazônia, há mais de 1000 espécies, das quais 283 possuem distribuição restrita ou são muito raras. A Amazônia é a terra dos grandes Cracidae (mutuns), Tinamidae (inhambus), Psittacidae (araras, papagaios, periquitos), Ramphastidae (tucanos e araçaris) e muitos Passeriformes como por exemplo, os Formicariidae, Pipridae e Cotingidae.

O número total de mamíferos existentes no mundo é estimado em 4.650. Na Amazônia, são registradas atualmente 311 espécies. Os quirópteros e os roedores são os grupos com maior número de espécies. Mesmo sendo o grupo de mamíferos mais bem conhecido da Amazônia, nos últimos anos várias espécies de primatas tem sido descobertas, inclusive o sagüi-anão-da-coroa-preta, e o sauim-de-cara-branca, Callithrix saterei.

Fonte:

http://www.museu-goeldi.br/biodiversidade/o_amazonia.asp

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Poraquê ou popular Peixe Elétrico


Poraquê

O corpo do Poraquê é alongado e tem uma grande nadadeira por baixo da barriga. A cabeça é achatada e na boca ele tem uma fileira de dentes muito afiados.

Sua cor é escura mas a barriga é amarelada. As vezes pode-se ver esses peixes de cor marrom escura com pintas mais claras.

Quando adulto pode pesar até 20 quilos e medir 2 metros.

A coisa mais bacana desse peixe é sua capacidade de dar choques, por isso é conhecido como peixe-elétrico. Poraquê na língua dos índios, tupi-guarani, quer dizer o que coloca para dormir.

O Poraquê também usa ondas elétricas para se guiar no escuro, assim como os morcegos usam ondas sonoras. Além disso esse peixe também respira ar e precisa vir à superfície para respirar a cada 8 minutos.

Onde vive?

No rio Amazonas, nos lugares onde as águas são mais escuras e o fundo cheio de lodo. Nesses locais a visão debaixo d'água é muito ruim, mas é lá que o Poraquê vive.

Alimentação

Se alimenta de peixes de várias espécies e pequenos répteis.

Hábitos

Mais do que falar dos hábitos, esse peixe tem muitas coisas curiosas para comentarmos.

A maior curiosidade dele é o fato de dar choques, ele funciona como uma pilha, porque a frente do seu corpo tem carga positiva e a ponta da cauda tem carga negativa, isso quer dizer que, se uma pessoa pegar na cabeça e na cauda do peixe ao mesmo tempo, vai levar um choque capaz de fritá-la em segundos. Um choque do Poraquê é capaz de matar um cavalo.

Os índios foram mesmo muito observadores e devem sido colocados para dormir algumas vezes, e foi assim que o Poraquê ganhou esse nome tão inteligente.

O maior risco para quem nada no rio, é encontrar o Poraquê na superfície, quando ele sobe para respirar oxigênio.

Poraquê.

É engraçado de dizer isso, mas, você sabia que esse peixe se afoga se não respirar ar? Pois é, os cientistas dizem que o peixe-elétrico é um respirador aéreo obrigatório.

Um choque de 600 volts do peixe-elétrico é cinco vezes e meia mais do que o que se leva colocando o dedo numa tomada de 110 volts.

Muitas vezes a pessoa que leva um choque do Poraquê, desmaia e morre afogada.

Reprodução

Quando os rios enchem entre maio e junho, é a época dos peixes-elétricos namorarem, e esse namoro é dos mais curiosos.

Nessa fase eles nadam soltando choques tremendos contra os outros machos. As fêmeas ficam foram do caminho. Quem vence a disputa do peixe mais chocante, ganha a atenção da fêmea.

O macho vencedor dispara um choque na direção da fêmea e ela desova, o macho então, fertiliza os ovos. Isso foi descrito e descoberto pelo biólogo gaúcho José Alves Gomes, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, em Manaus.

Fonte.

http://pt.wikibooks.org/wiki/Bichos_da_mata/Poraqu%C3%A


Curiosidades: Como morei na região escutei muitas.

Uma delas e que o Peixe Elétrico ou Poraquê na época da cheia dos rios abraça o coqueiro de açaí e emiti uma descarga elétrica e os frutos cai dentro do rio.

(observando as informações acimas não inclui na dieta alimentar frutas mais conforme constatação do pessoal da região ele come o açai.) (Jorge)






terça-feira, 7 de outubro de 2008

Essa matéria e pura realidade conheça a fama do jaraqui




O Jaraqui

Como a massa para o italiano e o bacalhau para o portuga, o Jaraqui é o " Prato de resistência " da verdadeira cozinha amazonense. Que me perdoem os refinado e afeitos a sofisticações que enfeitam, mas invariavelmente estragam os pratos nativos, o Jaraqui (Semaprochilodus brama) - êta, palavão bonito !! que já traz consigo a número 1 - não é o maior, nem o mais famoso, tampouco o mais valorizado peixe de nosso rios. É apenas o MELHOR.

De tamanho regular, pesando por volta de 400 g, este verdadeiro maná dos céus garante durante quase todo o ano a comida nas mesas menos abastadas dos amazonenses. Na época de águas mais baixas, quando a pesca nos lagos fica mais fácil, a fartura deste peixe é tamanha, que já vi ser vendido, na Feira da Panair, o cento de Jaraqui por R$ 1,00 (um real).

Come-se o Jaraqui de várias formas, frito, moquecado, assado ou a escabeche; porém o que é bom mesmo é um Jaraqui frito com feijão, arroz branco, farinha seca, cheiro verde, tudo arrematado com um saboroso , perfumado e ardente molho de pimenta murupi. A alternativa do baião de dois também é válida.

Onde comer um bom Jaraqui frito ?

Em Manaus, a exceção dos lesos restaurantes pseudos-refinados (Não caia na besteira de dar uma olhada nas cozinhas), pode-se comer um honesto Jaraqui frito em diversos locais. Esta página estaria incompleta se não gastasse algumas maltraçadas linhas com o Templo do Jaraqui: O GALO CARIJÓ
Restaurante simples, quase um boteco, o GALO CARIJÓ esta situado próximo a área portuária da Manaus, mais precisamente na esquina da Rua dos Andradas com a Rua Pedro Botelho. É local para se entrar de alma aberta e olhos fechado, confiando plenamente apenas nas informações celestiais vinda de um córtex cerebral inundado por informações olfativas inebriantes.

Para terem ídeia da honestidade do pedaço, saibam que durante muitos anos, o proprietário conservou com esmero o diploma letra " D", com que eu e o saudoso Dr. Carlos Durant classificamos, nos primórdios da Sec. Municipal de Saúde de Manaus, a cozinha. É certo que reformas substanciais foram realizadas, e mesmo no auge do cólera o Evandro Melo não fechou o restaurante.

Brincadeiras a parte, se você não se incomoda que alguém a seu lado peça gritando ao Antônio que traga mais uma dose de 61, o GALO CARIJÓ é imperdível, que o diga o Mestre Genival Veloso de França.

PS: Para evitar protestos futuros, de dissidentes do GALO CARIJÓ, recomendamos também a CALÇADA DO ROGÉRIO, off-road situado na Rua José Paranaguá, próximo ao Teatro Chaminé; além do PANELA CHEIA, situado no Conj. Dom Pedro I, e que tem um Jaraqui ovado (não me olhem com recriminações ecológicas)de se comer de joelho, agradecendo aos céus pela graça.

O link esta abaixo não consegui identificar o outor.

http://www.geocities.com/RainForest/4766/jaraqui.htm
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