terça-feira, 16 de março de 2010

Ataque de piranhas prejudica black basses da represa Atibainha, diz estudo


Com as mordidas das piranhas, basses ficam vulneráveis a infecções causadas por bactérias da fauna natural da represa
Por: Lielson Tiozzo
Foto/Ilustração: São Paulo Bass Clube
Publicado em: 02/2010


O ataque de piranhas é a causa da destruição da cauda e das doenças que sofre a maioria dos black basses da represa Atibainha, em Atibaia (SP). De acordo com o estudo do biólogo Fabiano Ricardo Andrade Negrini, solicitado pela associação de pesca esportiva São Paulo Bass Clube, as lesões encontradas nos peixes são compatíveis com as mordidas das piranhas mais jovens que também vivem no local.

Desde 2004, pescadores relatam que pelo menos 85% dos basses pescados em Atibainha apresentam lesão na cauda ou nas nadadeiras. Alguns dos peixes feridos já estavam com órgãos quase regenerados. Mas muitos tinham a aparência de doentes.

“Na represa de Atibainha, infelizmente, o bass está muito doente e sem o rabo. Alguns já são pegos com lesões no dorso. Claramente os peixes aclamam por socorro”, afirma o pescador e freqüentador assíduo do local, Fábio Zurlini.

Salvar os basses dos afiados dentes das piranhas, no entanto, não será fácil. Segundo a pesquisa de Negrini, os basses dividem o mesmo espaço com as rivais e acabam se confrontando por território e alimento. As piranhas, porém, não matam os basses porque procuram se alimentar apenas das caudas e das nadadeiras deles.

Além das piranhas, os basses têm como inimigos naturais outros predadores como as traíras, que podem lesioná-los com mordidas fortes. “Outros fatores também podem lesionar a cauda, como o processo de fazer o ninho e disputas de território na época reprodutiva entre os próprios peixes”, diz o estudo de Negrini.

Com os ferimentos, os basses ficam vulneráveis às infecções causadas por bactérias que fazem parte da “flora natural” da Atibainha. Por isso, os peixes adoecem e acabam morrendo.

“O quadro de enfermidade ocorre com mais frequência em ambientes quentes, que contenham grande quantidade de material orgânico e associados a fatores estressantes. Dentre eles podemos citar mudanças bruscas de temperatura, traumatismos, baixo nível de oxigênio, condição nutricional deficiente e outros tipos de infecções ou parasitismo”, explica Negrini.

Se não tem como controlar o ataque das piranhas, o extermínio das bactérias também fica impossibilitado. Segundo Negrini, “não existem trabalhos sobre o tratamento desta enfermidade para peixes livres na natureza. Em cativeiro, utilizam-se antibióticos específicos diluídos na água onde os animais vivem”.

No entanto, como a represa Atibainha é uma fonte de água para consumo humano, a utilização de antibióticos diluídos na água em grande escala pode ter efeitos indesejados tanto para a fauna local, quanto para os consumidores daquela água.

fonte: uol.noticias 

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