quarta-feira, 6 de julho de 2011

Professor da Ufam acusado de crime ambiental é solto

Ning Labbish Chao passou sete dias na cadeia depois de ser preso tentando embarcar com peixes para os EUA

Labbish está livre desde a tarde desta segunda (13). Na cadeia, ele jogou dominó com presos (Reprodução de Internet )

O professor aposentado da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e pesquisador Ning Labbish Chao, 64, foi colocado em liberdade na tarde desta segunda-feira (13), depois de ter pago R$ 5 mil de fiança e ter se comprometido a não sair do Brasil sem a autorização da Justiça Brasileira.

Labbish, que é chinês naturalizado brasileiro, estava preso na Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, no Centro, há sete dias, acusado de crime ambiental. Segundo informações da Polícia Federal, que o prendeu, ele foi flagrado transportando amostras de peixes regionais para o exterior.

Labbish foi abordado por agentes federais quando, no último dia 7, tentava embarcar no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em um voo internacional com destino a Miami, nos Estados Unidos, levando material genético, sem a autorização dos orgão oficiais, o que configura crime de contrabando.

O professor aposentado foi autuado pelo delegado federal Márcio Magno Carvalho. O delegado informou que a prisão do pesquisador foi resultado de um trabalho de inteligência feito pela Polícia Federal. Labbish foi flagrado na área de embarque e já havia, inclusive, despachado a bagagem.

Entre o material do professor a polícia encontrou uma caixa de isopor. Ao ser interrogado qual era o conteúdo da caixa, Labbish disse que estava levando material didático (livros). Os policiais levaram a bagagem do professor aposentado para o o equipamento de scanner, que mostrou o verdadeiro conteúdo da caixa.

Ao invés de livros, os policiais encontraram uma grande quantidade de peixes, esqueletos e escamas. Alguns estavam em tubos de ensaio e outros envoltos em panos com formol. Segundo o delegado, no momento do flagra o professor reconheceu que estava errado.

O superintendente da Polícia Federal, Sérgio Fontes, disse que o professor tinha licença para fazer pesquisa, mas não tinha autorização para sair do Brasil levando material genético.

Do aeroporto, Labbish foi levado para a superintendência da Polícia Federal, na Zona Centro-Oeste, onde foi autuado. Em depoimento, Labbish disse que é chinês naturalizado brasileiro e que por muitos anos foi professor e pesquisador da Ufam e que está aposentado há dois meses.

Ele disse que estava embarcando para Miami, onde montou um laboratório de pesquisas, e que estava levando amostras de peixes para dar continuidade ao seu trabalho de pesquisa.

Todo material apreendido foi encaminhado para o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Zona Centro-Sul, para ser analisado e periciado.

O laudo pericial vai ser juntado ao inquérito instaurado pela polícia para investigar o caso. Até ontem a polícia não tinha informações se havia a participação de outras pessoas no crime, mas mantém as investigações.

Liberdade após pagar R$ 5 mil
Nesta segunda (13), Ning Labbish Chao foi colocado em liberdade por meio de um pedido de liberdade provisória impetrado pela advogada Emília Carolina Vieira, acatado pela Justiça Federal. A reportagem tentou falar com a advogada do pesquisador por telefone, mas ela disse que não tinha nada a declarar a respeito da pessoa do cliente dela e apenas informou de sua liberação.

Os pré-requisito para a liberdade de Labbish estipulado pelo juiz federal foi o pagamento da fiança, no valor de R$ 5 mil, a apresentação e retenção do passaporte dele com a assinatura de um termo de compromisso, por parte dele, em que se compromete a deixar o País somente com a autorização da Justiça.

Pessoas que conhecem o professor aposentado, e pediram para não terem seus nomes publicados, disseram que ele é autoridade na área de biologia, que sempre se dedicou à pesquisa de peixes da família dos Sciaendade, que é uma espécie com grande valor comercial e pescada em larga escala por causa da carne branca, delicada, saborosa e considerada excelente.

Destaque
Nesta segunda-feira (13), o secretário executivo de Secretária de Justiça e de Direitos Humanos (Sejus), coronel da Polícia Militar Bernardo Encarnação, informou que Ning Labbish Chao ficou preso na área de inclusão da Cadeia Pública Vidal Pessoa, e demonstrou tranquilidade enquanto esteve no local. Encarnação disse que Labbish conversava normalmente com outros internos e até jogava dominó com eles. Ele deixou a cadeia por volta das 17h15 desta segunda (13).

Saiba mais

Conceituado
O pesquisador Ning Labbish Chao ficou conhecido nacional e internacionalmente por ser o um dos criadores e coordenador do Projeto Piaba, com a participação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Piaba é um projeto científico interdisciplinar, criado para compreender a pesca dos peixes ornamentais associado ao sistema ecológico e sócio-cultural da bacia do médio rio Negro, no Amazonas, procurando meios de preservar os peixes e, ao mesmo tempo, manter a pescaria de peixes ornamentais e outros recursos renováveis em níveis comerciais e ecologicamente sustentáveis.

O projeto durou até 2004. Em Barcelos, a 405 quilômetros de Manaus, os piabeiros foram organizados em colônias e uma das conclusões foi que a atividade deles era sustentável. Diversos sub-projetos foram apoiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e várias organizações não governamentais.


fonte: Acritica.uol.com.br 
por JOANA QUEIROZ

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